Não sou casado e nunca tive filhos: quem herdará meu patrimônio?
A ordem de vocação hereditária e como direcionar o patrimônio com testamento.
Por Anne Brito · OAB/RJ · OAB/ES
Quem não tem cônjuge nem descendentes costuma imaginar que pode dispor livremente do próprio patrimônio. Isso é verdade em parte — e a parte que não é verdade costuma surpreender.
A ordem de vocação hereditária
Sem testamento, o patrimônio é transmitido nesta sequência:
- Descendentes.
- Ascendentes, em concorrência com o cônjuge ou companheiro, se houver.
- Cônjuge ou companheiro sobrevivente.
- Colaterais até o quarto grau: irmãos, sobrinhos, tios, primos, tios-avós e sobrinhos-netos.
- Não havendo ninguém, o patrimônio é declarado vacante e passa ao Município, ao Distrito Federal ou à União.
A diferença essencial entre pais e irmãos
Se os seus pais estiverem vivos, eles são herdeiros necessários e têm direito à legítima de 50%. Nesse caso, você só pode dispor livremente de metade do patrimônio.
Se não houver ascendentes vivos, os colaterais herdam, mas não são herdeiros necessários. Isso significa liberdade total: você pode destinar 100% do seu patrimônio a quem quiser — companheiro, amigos, afilhados, instituições, projetos sociais — por meio de testamento.
Quem costuma ficar desprotegido sem planejamento
- Companheiro de união estável não formalizada, que precisará provar a relação em juízo.
- Amigos e pessoas de convivência afetiva sem vínculo legal.
- Afilhados, enteados e pessoas cuidadas por você.
- Causas e instituições nas quais você acredita.
Instrumentos além do testamento
- Escritura de união estável, para dar segurança a quem vive com você.
- Seguro de vida com beneficiário nomeado, que não entra em inventário.
- Previdência privada com indicação de beneficiários.
- Doação com reserva de usufruto e cláusulas restritivas.
- Diretivas antecipadas de vontade e autocuratela, definindo quem cuidará de você em caso de incapacidade.
O ponto mais esquecido: quem cuida de você em vida
Para quem não tem família nuclear, planejar a incapacidade é tão importante quanto planejar a morte. Documentar quem administrará seus bens e decidirá sobre a sua saúde evita curatela judicial conduzida por alguém distante da sua vida.
Como conduzo
Construo um planejamento completo e sigiloso, com testamento, escrituras e diretivas, para que o seu patrimônio e a sua vontade sigam exatamente o destino que você escolheu.
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Próximo passo
Cada caso tem uma arquitetura própria.
Este texto explica o caminho geral. O desenho que serve à sua família depende do seu patrimônio, dos seus vínculos e das suas intenções. A partir de uma consulta, mapeamos o que o seu caso realmente pede com calma, discrição e sem burocracia para você.
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Anne Brito · Advocacia extrajudicial de famílias e sucessões · OAB/RJ · OAB/ES
