Artigo12 de maio de 2022

O que faz um inventariante no processo de inventário?

As funções, os deveres e a responsabilidade de quem administra o espólio.

Por Anne Brito · OAB/RJ · OAB/ES

O inventariante é quem representa e administra o espólio até a partilha. É uma função de confiança, com deveres legais concretos e responsabilidade pessoal em caso de má gestão.

Principais atribuições

  • Representar o espólio ativa e passivamente, em juízo e fora dele.
  • Administrar os bens, conservando-os e evitando deterioração ou perda.
  • Levantar ativo e passivo, com documentos, certidões e avaliações.
  • Pagar dívidas e tributos com recursos do espólio, respeitando a ordem legal.
  • Prestar contas de sua administração aos herdeiros.
  • Apresentar primeiras e últimas declarações e conduzir o plano de partilha.

Quem pode ser inventariante

A lei estabelece uma ordem de preferência, iniciando pelo cônjuge ou companheiro que convivia com o falecido, seguido pelo herdeiro que estiver na posse dos bens, pelo testamenteiro e por outras figuras. No inventário extrajudicial, os herdeiros escolhem em consenso quem assinará como inventariante na escritura.

O que o inventariante não pode fazer sozinho

  • Vender ou onerar bens do espólio sem autorização judicial ou anuência de todos os herdeiros.
  • Fazer partilha informal ou entregar bens antes da conclusão.
  • Usar recursos do espólio em proveito próprio.
  • Ocultar bens, o que pode configurar sonegados e levar à perda do direito sobre eles.

Responsabilidade e remoção

O inventariante que descumpre deveres, atrasa o andamento, deixa de prestar contas ou administra mal pode ser removido, além de responder por perdas e danos. Quando há empresa no espólio, a responsabilidade se amplia, envolvendo continuidade das operações, obrigações trabalhistas e tributárias.

A escolha estratégica

Nomear o inventariante certo evita metade dos conflitos. Em famílias com histórico de tensão, indicar previamente em testamento quem exercerá a função — ou concentrar a administração em uma holding familiar com governança definida — reduz muito o risco de disputa.

Como conduzo

Assessoro o inventariante em todas as etapas, da organização documental à prestação de contas, priorizando a via extrajudicial em cartório sempre que os requisitos estão presentes.

Agende uma reunião e conduza o inventário com método, previsibilidade e paz familiar.

Próximo passo

Cada caso tem uma arquitetura própria.

Este texto explica o caminho geral. O desenho que serve à sua família depende do seu patrimônio, dos seus vínculos e das suas intenções. A partir de uma consulta, mapeamos o que o seu caso realmente pede com calma, discrição e sem burocracia para você.

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Anne Brito · Advocacia extrajudicial de famílias e sucessões · OAB/RJ · OAB/ES