Artigo15 de setembro de 2024

Quando fazer contrato de namoro?

O momento de proteger o patrimônio antes mesmo do casamento ou união estável.

Por Anne Brito · OAB/RJ · OAB/ES

O contrato de namoro é um dos documentos mais incompreendidos do direito de família — e um dos mais úteis para quem vive uma relação afetiva sem intenção, ainda, de constituir família.

Ele existe porque a fronteira entre namoro e união estável é fina, factual e, em juízo, decidida por prova. A união estável não exige tempo mínimo, contrato ou registro: basta convivência pública, contínua, duradoura e com intenção de constituir família. Esse último elemento é subjetivo — e é justamente sobre ele que se discute.

Quando o contrato de namoro faz sentido

  • Quando vocês moram juntos, mas não se consideram uma família constituída. Dividir o mesmo endereço é o principal indício usado para reconhecer união estável.
  • Quando um dos dois tem patrimônio relevante ou empresa. O reconhecimento posterior de união estável em regime de comunhão parcial pode comunicar bens que ninguém pretendia comunicar.
  • Quando há filhos de relacionamentos anteriores. A proteção da legítima deles depende da clareza sobre o estado civil e o regime.
  • Quando um dos dois está em fase de divórcio ou de inventário em andamento. A qualificação da relação afeta direitos de terceiros.
  • Quando há grande disparidade patrimonial e os dois querem manter independência enquanto a relação amadurece.
  • Quando a relação é internacional e a qualificação jurídica repercute em mais de um país.

Quando ele não resolve nada

Preciso ser direta: o contrato de namoro não tem força para desfigurar uma união estável que existe de fato. Se o casal vive como família — patrimônio compartilhado, dependência recíproca, projeto comum, apresentação social como companheiros —, um documento dizendo o contrário será apenas mais uma prova entre outras, e provavelmente a menos convincente.

O contrato é declaratório: registra a realidade vivida. Não a inventa. Quem o utiliza para "blindar" uma união que já existe está construindo uma falsa segurança.

O que um bom contrato de namoro contém

  • Qualificação completa das partes e descrição honesta da relação.
  • Declaração expressa de ausência, naquele momento, de intenção de constituir família.
  • Regras sobre eventual moradia compartilhada: quem paga o quê, a que título, sem formação de patrimônio comum.
  • Tratamento de bens adquiridos no período, com prova de origem dos recursos.
  • Regras sobre contribuições e reembolsos, para afastar futuras alegações de esforço comum.
  • Cláusula de revisão periódica — a minha preferida. A relação muda; o documento precisa acompanhar.
  • Compromisso de conversão em contrato de convivência quando a intenção mudar.

Ele pode ser feito por instrumento particular com testemunhas ou, com bem mais segurança, por escritura pública em Cartório de Notas — que confere data certa e fé pública.

A alternativa que muitas vezes é melhor

Em boa parte dos casos que atendo, o caminho mais honesto não é negar a união: é assumi-la com regras. O contrato de convivência reconhece a união estável e, ao mesmo tempo, define o regime de bens — inclusive separação total de bens, se for essa a vontade do casal.

Ou seja: dá para viver junto, assumir a relação socialmente e, ainda assim, manter os patrimônios separados. Para muitos casais, essa é a solução elegante que faltava.

Como conduzo

Começo por um diagnóstico franco da relação, para identificar se o caso pede contrato de namoro, contrato de convivência ou nenhum dos dois. Depois redijo o documento com linguagem clara, previsão de revisão e formalização em cartório. Presencial em Ipanema, Rio de Janeiro, e online em todo o mundo.

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Próximo passo

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Este texto explica o caminho geral. O desenho que serve à sua família depende do seu patrimônio, dos seus vínculos e das suas intenções. A partir de uma consulta, mapeamos o que o seu caso realmente pede com calma, discrição e sem burocracia para você.

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Anne Brito · Advocacia extrajudicial de famílias e sucessões · OAB/RJ · OAB/ES